Dia desses passou uma caixinha no Instagram do Normose perguntando ao público como fazemos para reduzir a captura da nossa atenção. Não respondi na hora pois eu não tenho feito muita coisa. Pelo contrário, eu tenho feito nada sobre isso. Ou talvez tenha, se considerar divagar sobre o assunto na terapia como fazer alguma coisa. Tenho preferido não considerar assim, pois fica muito fácil argumentar pra mim mesmo que estou fazendo coisas úteis para a minha vida 1 hora por semana dentro do consultório. Acredito que o fazer deva resultar numa mudança concreta do mundo externo. Portanto eu discordo de Gabriel, o Pensador, quando disse que "a gente muda o mundo na mudança da mente". Isso aí no máximo é o gatilho, o que muda é a ação.
Ou a inação, dependendo do caso. Se a ação é procurar mais conteúdo, não procurar esse conteúdo está mudando o meu mundo.
A questão do FOMO sempre me pega, eu quase assisti MAIS uma CPI inteira. A da COVID valeu demais assistir, obviamente comentada. Essa do golpe do 8 de janeiro tem seus momentos mas tem muito conteúdo menos relevante. Inclusive considerando que a situação do país é diferente. Saímos do desespero, não precisamos mais das doses reforçadas de esperança pra sair do buraco todos os dias.
Mas não era sobre CPI especificamente que eu estava pensando. Várias vezes já comentei comigo mesmo como gostava de escrever e não conseguia mais. E escrever ajuda a organizar as ideias. Tornei-me um consumidr voraz de tudo que é conteúdo. Já consumia trocentos podcasts (ainda o faço, velocidade 2,5x), mas agora comecei com vídeos no YouTube, depois de apagar a minha antiga lista de "Assistir mais tarde". Depois de alguns meses já era chuva de vídeo de react e quando vi já estava assitindo 4 reacts diferentes de algum conteúdo completamente irrelevante pra mim.
A questão sobre esses reacts é que é uma forma mais barata de produzir o tempo necessário de conteúdo para se manter sendo recomendado pelo YouTube. Assim como as gravações podem ser feitas na Twitch, que exige esse tempo para pagar um pouco menos pior o criador. Minha conclusão é que esse tempo é demasiado para quem consome o conteúdo, e se for pra ajudar o criador dá pra deixar rodando em outra janela e dar os likes se for necessário, mas não necessariamente assistir.
Então, uma das ações que tirei é focar nos vídeos que têm mais estudo e produção, e reacts só se eu já soubre que o comentador vai ter uma opinião que me seja relevante sobre o assunto em questão. Afinal, quando é tudo irrelevante são vários minutos perdidos em algo que eu não vou lembrar poucos minutos depois.
Outra questão é o Twitter. Tem sempre um conteúdo de qualidade (pra quem escolheu bem quem seguir e usa a timeline cronológica) mas junta uma ansiedade de sempre ver mais coisas, e acaba sendo muito tempo com roladas irrelevantes para pouco contéudo bom. Juntando isso com as pioras recorrentes da usabilidade provocadas pelo novo ditador, vale mais perder esse pouco conteúdo relevante que todo o tempo com o restante do conteúdo. Mas esse app é uma droga, é um vício, a única solução é cometer o twittercídio e banir o app para todo o sempre (ao contrário das outras drogas que tem que liberar tudo e tratar com terapia, redução de danos, etc.).
O último sumidouro da atenção relacionada à criação de conteúdo, para o meu caso, é o Instagram. Ajudou muito a reduzir meu uso quando destruíram a linha do tempo cronológica de posts, e colocaram muitos anúncios e sugestões de publicações que não sigo nessa linha. Foi a TikTokzação do Instagram. TikTok esse que inclusive usei por uns poucos meses pois é um enorme ralo de atenção, bagulho é poderoso mesmo, tem muita coisa interessante para perder trocentas horas, um algoritmo de recomendação bom demais. Daí a questão do Instagram são os Stories, que mantém uma certa linha cronológica. Ainda não pensei em uma atitude mais prática, mas pular os usuários em vez de assitir TODOS os stories reduz um pouco o tempo. Se tiver algum usuário com algum conteúdo relevante dá pra acompanhar os demais. Também deixei de seguir os criadores de conteúdo que deixam aquela sequência de reticências nos stories, afinal, meu uso daquela rede é mais para manter algum perfil público meu (que não seja o linkedin) que outra coisa. Facebook larguei e não pretendo voltar, então ficou essa outra porcaria da Meta mesmo, infelizmente é o que tem pra hoje.
Meu ralo de atenção final são os jogos, mas isso fica pra outro comentário.