segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Musculação

Eu gosto de musculação. Algumas pessoas acham estranho. Várias dizem "quando crescer quero ser que nem tu que vai às 7 da manhã pra academia" quando na verdade não querem. É um negócio chato né? Pra mim não. Também não é nada extraordinário, somente um tempo pra começar o dia com o que me agrada.

Mas o tema do texto não é dizer como eu acho legal, e sim o porquê.

E o motivo é o foco. É o desafio de fazer direito. É entender o que está sendo trabalhado. O instante da repetição é equivalente àquele momento em que o olho desfoca do kart do Mario no 150cc e os dedos buscam a volta perfeita. Descobrir como isolar o músculo trabalhado é como entender a solução daquela equação de tensores de quarta ordem.

Tá, não chega a tanto. Mas o sentimento é esse mesmo.

Manter o foco no movimento e entender o que está sendo feito. E tem os bônus. A gamificação do aumento de carga, a facilidade de fazer outras coisas na vida, e até a aparência no espelho.

Claro que isso só dura uns 30 segundos, depois tem aquele minuto de tédio - e Twitter nos dias bons - pra descansar os músculos, e depois volta a diversão.

Mas é isso, é simples, eu gosto de fazer as coisas perfeitas, gosto de estudar, gosto de focar no movimento, gosto de trabalhar o corpo, e gosto de ter facilidade pra levantar as cargas da vida.

E desculpa as repetições pra aumentar o texto aí.

sábado, 1 de setembro de 2018

Preguistreaming

Tema, essa thread:

Não sei se foi o tempo ou o luxo, mas as facilidades da vida contemporânea me dominam.

Lá na adolescência, quando abandonei minhas fantasias de autossuficiência (mentirá) e comecei a conviver em sociedade (masomeno), meus eixos de integração com os amigos eram música, emuladores, Magic, RPG e basquete com mendigos.

Era uma época complicada, mas nem tanto. Conexão discada, mas modem 56k. Disquete, mas de 1,44MiB. Magic com valor baseado em dólar, mas este estava cotado próximo de 1 pila. Época de ICQ, de IRC popular, a prévia do desastre com o lamentável (pois bem sucedido) MSN Messenger. Não tinha nem Orkut, muito menos Mob Wars no Facebook.

A pirataria era difícil, mas útil. Eu cuidava bem da coleção de mp3 e ROMs de SNES. Usei Kazaa, eMule, SoulSeek. Fora do P2P tinha os gerenciadores que permitiam parar um download e continuar na próxima semana. De início era um arquivo por vez, depois ia por álbuns. (Li alguma thread no Twitter sobre isso faz pouco, se achar de novo eu linko aqui). Era a noite - ou mais de uma - baixando algo.

A primeira centena de músicas foi emocionante, o milhar então... "ae, tenho 7k mp3 no meu HD" "CARALHO, TEM ALGUMA COISA QUE TU NÃO TEM??!!".

Uma vantagem da pirataria é que, apesar do trabalho de encontrar - o que significa procurar o arquivo e ele não ser falso/ter qualidade adequada - qualquer coisa estava ao alcance. Sempre teve um movimento contra, mas coisas como o Metallica processando o Napster só prejudicaram a pirataria pontualmente.

Minha playlist era vasta, tinha tudo o que eu queria ouvir e era aleatória o suficiente pra não me entediar. E pra pirataria quase serve a regra 34: se algo existe já foi pirateado.

Um dia veio a banda larga. Com ela, novas oportunidades de negócio. Começaram a surgir serviços com a facilidade da pirataria e a garantia de ter os arquivos verdadeiros e com qualidade.

Por muito tempo usei o last.fm pra explorar músicas e baixar fora dele (perfil ainda meio que ativo https://www.last.fm/user/srbode). Quando entrei no mestrado perdi um pouco a capacidade de usar minhas músicas no momento de necessidade e assinei o serviço. Dólar barato e era 3 por mês, além de ouvir só as minhas aleatoriedades, tava adequado. No final desse período bati as 28k de músicas no HD. E sim, ouvi todas.

Começar a trabalhar depois impôs mais dificuldades nisso, comecei a assinar serviços que davam mais controle sobre o que eu ouvia. Google Play, Spotify e Deezer foram os que usei, na sequência. Vastas bibliotecas de fácil acesso, sempre comigo com a praticidade da conexão 4G no celular.

Muito fácil.
Muito prático.
Eu tava no paraíso.
Ou nem tanto.

Desde o início da história tinha o problema de como remunerar os detentores do direito e os responsáveis pela distribuição. A pirataria aceita qualquer coisa. A distribuição legalizada depende de acordos e contratos. Como esses contratos dependem de quem faz e de prazo de validade, acabam ficando lacunas nas playlists. Faltam músicas, faltam álbuns, faltam artistas. Grandes e pequenos, famosos e desconhecidos. E quem está lançando seu som de forma independente pode ter até que pagar para colocar seu catálogo num desses serviço, e daí talvez ganhar alguma coisa. Ouvintes, porque de dinheiro parece que se paga muito pouco pela execução.

A consequência disso é a playlist incompleta. Meu velho HD tocado num canto enquanto monto enormes listas de exploração musicais. Alguns artistas, agora, só no YouTube, mas me recuso a ouvir música por lá. Além de não ser prático, se tiver na rua é um consumo proibitivo de banda.

Uma solução, não ideal, seria voltar aos downloads, ou rips dos CDs (melhores mas menos práticos). Um problema é o espaço em "disco", tenho um historico de celulares torrando os cartões SD extras. Outra solução seria voltar pro Google Play, que aceitava até uns 20k de uploads próprios, se eu não me engano. Além disso, tinha obras fora do catálogo da rádio que podiam ser compradas por fora. Os uploads seriam necessários, mas só a parte de ter álbuns fora do catálogo já ajuda.

Por sinal, quanto à remuneração dos artistas, gosto muito dos que conseguem fazer crowdfunding e liberam as obras nos serviços de streaming depois. Já participei de vários e alguns eu nem fui buscar o CD da recompensa porque a presença online já me bastava.

Bolo de Cenoura I

Não abatumou hoje!
Fica a receita pra eu não perder de novo - quase tudo pesado na balança que comprei pra pesar café.

Bolo

Ovos221 g (4 un.)
Cenoura252 g
Óleo215 g
Açúcar230 g
Farinha218 g
Sal1 pitada
Fermento2 colheres de chá

Cobertura

Açúcar99 g
Chocolate (100% cacau)60 g
Manteiga sem sal34 g
Leite89 g
Águapouco, não contei

Execução

Comecei o bolo separando os ovos e ralando as cenouras. Coloquei com o óleo, o açúcar e o sal no liquidificador. Depois de homogeneizado juntei a farinha, bati, fermento, bati de novo.

Não untei a fôrma de silicone - mas devia. Com o forno pré-aquecido a 180°C, coloquei a fôrma de silicone por cima da uma fôrma de pizza, já que essa de silicone não tem uma forma muito estável. Tirei depois de uns 45~50 min - me perdi no meio porque tava fazendo uma manutenção da bicicleta.

Esperei o bolo esfriar para desenformar, só fiquei em dúvida de qual o lado certo.
Pra cobertura, juntei o açúcar, chocolate e manteiga e tentei fazer tudo junto. Ficou muito seco (de repente com um achocolatado com açúcar teria dado certo). Tentei tocar uma água, não ajudou muito. Continuava seco e em pedaços. Coloquei leite e começou a ficar consistente e mais líquido. Ainda assim ficou um tanto consistente, a cobertura estava mole mas bem coesa, fiquei com medo de ter caramelizado demais e ficar uma bala nos dentes.

De sabor, essa cobertura ficou além de um chocolate meio amargo. Pode decepcionar quem espera muito açúcar. Para usar chocolate 100% cacau tem que reduzir ainda mais a proporção para o açúcar. Talvez seja bom colocar mais manteiga também.

Review


Muito denso e um pouco seco. Talvez deva colocar ainda menos cenouras na próxima.